Interlúdio #3.5 - Capas de Mangás - Parte 2
Embora no primeiro texto sobre minhas capas de mangás favoritas eu tenha comentado que seria possível estender este tema em vários outros textos, eu nunca tive realmente intenção de fazer continuações. Mas por alguma coincidência incrível, poucos meses depois daquele texto ser publicado, muitas novidades interessantes impactaram fortemente o mercado nacional de mangás. Mesmo os preços das edições nacionais continuando tão abusivos quanto sempre foram, a cultura de mangás cresceu muito e atingiu números expressivos no Brasil. Mais importante que isso é que o surgimento de novas editoras e a ascensão de editoras pequenas criaram concorrência de mercado, tirando as três grandes editoras (NewPOP, JBC e Panini) de seu reinado absoluto.
Com tantas novidades, eu, que sou entusiasta de mangás, logicamente me animei em fazer a segunda parte daquele texto, a despeito de minhas intenções iniciais. Dessa vez, no entanto, quero usar a ideia de listar minhas artes de capa favoritas para novamente comentar sobre o mercado nacional de mangás, mas agora focando apenas em temas recentes sobre as novas publicações aqui no Brasil.
#GyaruToGyaruNoYuri volume 1
Acho faz muito sentido abrir a lista com um mangá de 2025. Ou melhor, com O MANGÁ de 2025. #GyaruToGyaruNoYuri foi uma leitura que me deixou obcecado pelo mundo dos romances açucarados da Koharu Inoue. É uma autora relativamente novata, mas que já conseguiu bastante reconhecimento. O seu mangá Shinigami Bocchan to Kuro Maid ganhou adaptação completa em 3 temporadas de anime pela J.C.Staff. Todas as temporadas foram bem recebidas pelo público, mesmo sendo animação completamente em CGI. Além disso, #GyaruToGyaruNoYuri, com seu único volume lançado até o momento, ficou em 5º lugar na pesquisa "Mangás Que Gostaríamos de Ver Adaptados em Animes" da AnimeJapan 2026. Então, Koharu Inoue é uma mangaká para se ficar de olho.
O seu mangá atual era originalmente um one-shot, mas é uma história tão legal que acabou se tornando uma publicação longa. Após ler o único volume lançado da obra até o momento, posso entender o que fez #GyaruToGyaruNoYuri ser tão amado pelo seu nicho específico e até pelo público fora dele. É uma obra incrivelmente divertida, engraçada e com forte apelo romântico. Uma história leve sobre duas gyaru que resolveram começar a namorar. Mesmo o começo parecendo ser um relacionamento pouco sério, o desenvolvimento romântico é delicadamente natural. Isso torna a leitura tão dinâmica e especial que fez a obra se tornar um dos meus mangás favoritos já em seus primeiros meses de publicação.
A arte da capa do volume 1 vende super bem tudo que você vai encontrar no mangá. Cultura gyaru, romance adorável e uma arte super fofa. O estilo de desenho da autora é um ponto muito forte do mangá. A capa mostra as duas protagonistas, Yua e Reina, se encarando enquanto apontam a câmera do celular uma para a outra. Vai ser muito legal se a capa do volume 2 for com o ponto de vista invertido. A primeira arte é mostrada pela perspectiva da visão da Reina (a gyaru bronzeada), por isso é a Yua (a gyaru loira) que está em foco. Se a sequência fosse o inverso, mostraria como cada uma vê a outra.
Embora a imagem tenha um ângulo muito focado no rosto da Yua, existem vários detalhes de moda gyaru na arte da Koharu Inoue. Tipo, as unhas compridas pintadas de azul claro e os enfeites de unhas e os brincos em formato de laços da Yua. Para quem conhece de moda gyaru, já pode imaginar algumas tendências que a Yua gosta. Provavelmente o estilo da Yua usa muito do Hime Gyaru, que é focado em estilo fofo de princesa e adere a tons claros e cabelos longos e volumosos. Já a Reina tem menos acessórios e suas unhas são pintadas de cor de vinho. O estilo dela às vezes parece ser onee-gyaru, que tem cores mais adultas e refinadas, tem a pele levemente bronzeada e segue um estilo mais descolado. Dá pra pensar nesses estilos apenas ao olhar a arte da capa. Se não for a capa perfeita pra começar esse texto, não sei qual outra poderia ser.
Recentemente, gyaru tem se tornado um tema frequente no Japão. Teve um ex-editor de revista gyaru que criticou como os animes atuais representam de maneira errada a cultura gyaru. Já nas eleições de 2025 no Japão, uma gyaru chamada Sayuri Okamoto foi eleita para a assembleia municipal da cidade de Kawaguchi. Em seu plano de campanha, a política apresentava propostas antirracistas e contra o neoliberalismo. Ironicamente, no mesmo pleito também foi eleita Anna Sakaguchi, que defende políticas anti-imigrantes. Essa segunda notícia apresenta o que a cultura gyaru é em essência. Gyaru é um movimento de anarquia e moda subversiva. É uma rebeldia do dia a dia que ganhou força para opor-se às ideias de branquitude e subserviência do ideal feminino dos anos 90. Segundo o tal ex-editor, é exatamente isso que os animes atualmente não mostram da cultura gyaru.
Tenho pensado em tentar escrever sobre gyaru aqui no Animelancolia. O principal responsável por essa vontade é #GyaruToGyaruNoYuri, é claro. O mangá não assume nenhum tom de crítica social, então não terá nenhum tipo de anarquia deliberada. Mas a obra aborda de um jeito sensacional o namoro entre as duas garotas e a maneira como elas expressam seus sentimentos. #GyaruToGyaruNoYuri é perfeito porque é yuri e por celebrar a cultura gyaru.
#GyaruToGyaruNoYuri no mercado nacional de mangás
Obviamente, o mangá não está em publicação no Brasil. Recentemente, foi anunciado a publicação de um mangá que tinha apenas um volume na data do anúncio. Mas é algo pouco provável de acontecer outra vez. Ainda é um risco tremendo que uma editora assumiria. Mas uma mudança recente no mercado brasileiro é que, agora, efetivamente, existe concorrência para o domínio da NewPOP sobre yuri e BL. Se o crescimento de editoras como a MPEG (que foi a editora que anunciou o mangá que tinha apenas um volume lançado) continuar, será uma grande rival de vendas para a NewPOP, que é a principal editora de mangás queer em geral no Brasil. Isso é uma ótima notícia, na verdade. Significa que vai continuar aumentando o número de licenciamentos de obras assim. Mangás yuri e, principalmente, BL, estão constantemente entre os livros mais vendidos da Amazon. Uma nova concorrência de mercado; ainda mais uma que se propõe a se arriscar por obras promissoras, abre margem para uma gama maior de títulos que se diferenciam dentro de cada estilo, como o próprio #GyaruToGyaruNoYuri.
Totsukuni no Shoujo volume 5
Esse texto é focado inteiramente em coisas visuais. E enquanto relia o texto anterior, percebi que não escrevi nada sobre alguns dos meus temas favoritos relacionados a design. Com #GyaruToGyaruNoYuri, já preenchi a lacuna de não ter comentado nada sobre moda no primeiro texto. Já com Totsukuni no Shoujo, posso preencher outra lacuna, a de não ter trazido nada com estética gótica. Dessa vez, com uma arte que é composta inteiramente de sensações.
A arte de capa do volume 5 de Totsukuni no Shoujo representa bem a leitura do mangá. Uma atmosfera melancólica, mas não completamente sombria. A sensação de passagem onírica, mas com os pés na realidade. Uma sugestão de medo através do acolhimento de quem não tem nada. A dubiedade entre fantasia e realidade. Totsukuni no Shoujo é muito diferente da maioria dos mangás. Isso porque, apesar de estar em formato de mangá, ou seja, uma obra japonesa, a arte parece muito inspirada em estilos de ilustrações europeias do século XIX e seus contos de fadas sombrios.
Essa capa em particular explora um dos principais pontos que fez Totsukuni no Shoujo receber tanto reconhecimento e prêmios: os contrastes. Entre o preto pesado e o branco que passa a sensação de vazio. Entre a fofa garota de cabelo branco e a assustadora criatura escura ao seu lado. Entre a cena e o seu reflexo na água. A história do mangá é bem assim mesmo, sombria, mas estranhamente cativante. É praticamente uma leitura obrigatória para entusiastas de mangás por ser uma experiência de leitura muito rica e única.
Totsukuni no Shoujo no mercado nacional
A obra foi inteiramente publicada no Brasil pela editora DarkSide Books. O mangá de Nagabe é do tipo que dá vontade de ter em mídia física e percorrer cada detalhe da arte. Apesar de todo esse destaque ao tom sombrio da obra, Totsukuni no Shoujo é uma história sobre afeto. É um mangá muito terno sobre uma relação de pai e filha. Não é só esteticamente bonito, como também é muito tocante. A versão brasileira não é nada barata. Está até acima do preço médio de mangás no Brasil. Mas a edição da DarkSide foi feita com ótima qualidade. Vem em capa dura com detalhes em relevo, várias páginas coloridas e papel com pouca transparência. Para ser justo, a qualidade também está acima da média. A edição brasileira é para colocar em destaque na prateleira, praticamente como uma obra de arte.
A DarkSide Books é uma editora de livros com foco em obras de fantasia e terror, e que, esporadicamente, publica mangás. Isso é algo que acontece de tempos em tempos: alguma editora de livros publicar mangás. É ótimo porque geralmente são títulos bastante incomuns e que dificilmente alguma das grandes editoras publicaria. No entanto, quero aproveitar essa parte do post para comentar sobre uma editora de mangás nova que pode tornar mais comum a vinda de mangás mais alternativos ao nosso país. A Baú Editora foi fundada em 2024 e de cara já conseguiu publicar Shoujo Shuumatsu Ryokou. Esse é um mangá extremamente aclamado, mas que dificilmente viria ao Brasil. As editoras não costumam publicar mangás com um tom filosófico que faz o mangá parecer destinado a um nicho muito específico. Foi uma aposta certeira da Baú Editora, no entanto. O título já teve que ser reimprimido algumas vezes e no momento de publicação desse texto se encontra com o volume 1 esgotado. Isso é muito expressivo para uma editora pequena e traz bastante esperança de vermos maior variedade em relação aos títulos das grandes editoras.
Hitsugi Katsugi no Kuro. Kaichuu Tabi no Wa volume 7
Eu gosto muito quando a arte de capa consegue ser emblemática mesmo para quem não conhece a obra em questão. É o caso da capa do volume 7 de Hitsugi Katsugi no Kuro, de autoria da Satoko Kiyuduki. A arte apresenta a protagonista Kuro deitada relaxadamente em seu caixão. Pequenas flores brancas cobrem parte de seu corpo e se espalham pelo cenário. As irmãs Nijuku e Sanjuu brincam ao redor enquanto todas olham diretamente para o leitor. Kuro está sorrindo. Essa é uma capa que se torna ainda mais interessante por ser publicada pela Kirara, que é ma série de selos focados em comédias rápidas de moe no estilo 4-Koma. Obras desse selo incluem: K-On!, Hidamari Sketch, Yuru Camp, Acchi Kocchi, Slow Start, Yuyushiki, Bocchi The Rock! e Hoshizuku Telepath, entre diversas outras. Obras com atmosferas fofas, engraçadas e relaxantes, como é comum nas publicações da Kirara. No entanto, a capa do volume 7 de Hitsugi Katsugi no Kuro traz uma ideia mórbida. De alguém que parece satisfeita com a presença da morte. Os símbolos de pureza aqui se tornam desconfortáveis.
Como uma obra pautada por mistérios, a capa é bastante condizente. Ela suscita as mesmas perguntas tanto em quem já está lendo Kuro quanto em quem ainda não conhece o título. Por que Kuro carrega um caixão? Por que ela está sorrindo? Quem realmente são as crianças com características de gatos? A arte mistura qualidades e sentimentos divergentes. Está relacionada à morte, mas parece tão pura e calma. Os pés da Kuro indicam relaxamento, enquanto as mãos estão na posição cerimonial de velório. É uma arte muito convidativa a conhecer o mundo de Kuro e descobrir as respostas para os mistérios apresentados.
Hitsugi Katsugi no Kuro. Kaichuu Tabi no Wa no mercado nacional
A obra pode ser encontrada em inglês pela Yen Press, tanto em formato físico quanto em formato digital. O formato digital, por sua vez, tem um valor bastante acessível para uma publicação importada. Hitsugi Katsugi no Kuro não é publicado no Brasil atualmente. Tanto o formato 4-Koma quanto o estilo literário da obra se tornaram quase inexistentes no Brasil, tendo apenas poucos e antigos representantes, como K-On! e Azumanga Daioh. Nos dias atuais, se arriscar em formatos alternativos e obras que pareçam não ter um nicho já formado, ainda parece uma realidade distante para as grandes editoras de mangás brasileiras. Trazer obras como essa significa correr mais riscos de vendas baixas. Não existe pesquisa de mercado que possa afirmar que atualmente exista público para mangás do tipo, visto que não há nada para usar como base. Isso fez com que as editoras se estagnassem com pouca diversidade, se arriscando apenas no que parece mais seguro.
No entanto, tal situação pode mudar em breve. Esse é o ponto mais importante a se avaliar no crescimento das novas editoras. Como empresas menores, o caminho para alcançar as três grandes veio com títulos menos conhecidos ou ignorados pelas editoras já consolidadas. Títulos com propostas e estilos diversos. É assim que a MPEG vem se tornando cada vez mais conhecida. Trazendo como títulos principais da editora obras como Gash Bell!!!, New Normal, Girls Crush, etc. A editora parece ter focado em criar um público a partir de uma carência de mercado. Um risco que deu certo e permitiu à editora publicar títulos super populares, tanto novos quanto históricos, tais como Hajime no Ippo, Kaoru Hana to Rin Saku, Chihayafuru e Nodame Cantabile. Obras de vários gêneros diferentes e com ideias diversificadas.
Chihayafuru Volumes 22 e 48
Todas as capas de Chihayafuru seguem um padrão artístico. São artes cheias de personalidade e técnicas criativas de ilustração. Yuki Suetsugu parece se inspirar bastante em pinturas nihonga. A autora simula muito bem o estilo, usando cores que parecem feitas com pigmento natural, como minerais. O contorno dos personagens e demais elementos é muito suave, quase imperceptível em certas partes. Aproxima-se da arte lineless, que é quando não há divisão no traço dos elementos da pintura. Tudo para gerar um ar de naturalidade. As flores e os fundos remetem diretamente ao design têxtil dos kimonos tradicionais usados nas partidas profissionais de karuta.
Na seleção de capas dessa vez, eu tentei pensar em artes que transmitam precisamente a experiência de ler cada mangá citado. As duas capas de Chihayafuru carregam bastante orgulho da arte e cultura tradicional japonesa, enquanto as próprias personagens femininas que são mostradas nas respectivas artes, Chihaya e Shinobu, fazem um contraponto perfeito à ideia. São personalidades femininas muito fortes e distantes do ideal clássico que a arte faz parecer. Chihayafuru é uma obra que representa muito bem o karuta, e o mistura a ideias fortes e contemporâneas, criando uma história riquíssima de detalhes. As capas de todos os 50 volumes sempre mostram um ou mais personagens em destaque sobre um fundo colorido repleto de flores. Daria para comentar quase todas, mas essas duas em particular são minhas favoritas.
Chihayafuru no mercado nacional
Chihayafuru tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026, pela editora MPEG. Mais uma vez, isso mostra que a editora está disposta a se arriscar com obras que as demais editoras parecem evitar. Chihayafuru é claramente uma obra mainstream. Como tal, a explicação mais provável para nenhuma editora grande ter trazido essa e outras obras semelhantes ao Brasil antes é justamente a forte presença da cultura japonesa dentro da obra. Tanto o karuta quanto diversos outros elementos da obra carecem de um entendimento mais complexo para novos leitores e até mesmo para leitores veteranos. Não é uma obra naturalmente acessível, mas isso não significa que não pode ser engajante para que um novo público de mangá conheça a cultura de origem desse tipo de publicação. Infelizmente, até hoje a NewPOP ainda tenta se justificar por não usar honoríficos japoneses e abrasileirar algumas coisas em suas traduções.
Enquanto consumidor, que já foi um novo leitor em algum momento da vida, sinto que algumas editoras tendem a subestimar seu próprio público. Algumas adaptações parecem até desrespeito com a obra original. Se o público não pode ser apresentado aos termos da cultura japonesa, isso restringirá qualquer possibilidade de publicar obras como Chihayafuru. A discussão sobre o tema renderia um texto à parte e não cabe ser explorado nesse Interlúdio. Ainda não sei como a MPEG irá lidar com a longa tradução de Chihayafuru, mas o fato de terem conseguido o licenciamento dessa obra é um grande passo para as traduções futuras se manterem fiéis ao que cada elemento nas obras significa. Isso é ainda mais interessante em uma obra como Chihayafuru.
CLAMP edições especiais
Edições especiais, capas alternativas e edições comemorativas ainda são incomuns nos mangás publicados no Brasil. O próprio processo de impressão torna isso algo complicado e não é necessariamente culpa das editoras. No entanto, recentemente algumas obras têm ganhado publicações especiais. Para certas obras, como xxxHOLiC, isso significa mais do que apenas artes novas para enfeitar sua estante. Edições especiais, além de serem algo ótimo para colecionadores aficionados, também podem ressuscitar obras que se tornaram inacessíveis pela falta de reimpressão. É uma ótima notícia que mangás clássicos estejam sendo publicados novamente.
As capas da coleção CLAMP Premium Collection, que segue o mesmo padrão da versão japonesa, apresentam artes conceitualmente semelhantes: personagens desenhados detalhadamente sobre um fundo de cor única. O volume 1 de xxxHOLiC mostra Yuuko envolta em fumaça e borboletas. O estilo característico marcante do grupo CLAMP fica bem destacado. As roupas são cheias de detalhes e padrões únicos. O contraste com o fundo em roxo faz a pele da Yuuko ter um tom quase fantasmagórico na arte.
Não acho que essas novas capas sejam mais bonitas do que as originais brasileiras ou japonesas. No Brasil, xxxHOLiC foi publicado no mesmo estilo horizontal que comentei ao falar de Aria no texto anterior. Capas com artes horizontais mostram desenhos maiores, geralmente com mais detalhes. As capas originais da obra destacam esse lado mais místico do mundo da CLAMP e são realmente lindas. No entanto, a menção a essa nova coleção fica pela padronização do estilo. Várias obras da CLAMP se combinando entre si. Quando se olha todas as capas lado a lado, o resultado é impressionante. As obras do grupo geralmente carregam algum tipo de conexão. Portanto, transpor essa conexão para as capas da edição é uma ideia incrível que traz um charme ainda mais especial por serem edições em homenagem ao grupo CLAMP.
CLAMP edições especiais no mercado nacional
A CLAMP tem títulos publicados por várias editoras no Brasil. Essa edição premium ficou por conta das editoras JBC e Panini. Como foi dito antes, a edição especial significa reimpressão para algumas das obras que fazem parte da coleção. No entanto, a palavra "premium" faz parecer que é uma edição de luxo, o que não é o caso. A qualidade do papel e da capa é praticamente o mesmo padrão das edições normais de mangás de ambas as editoras. Há algumas novas páginas coloridas que não estavam na edição comum, mas nada que torne a Edição Premium um artigo de luxo. O preço dos volumes está inexplicavelmente alto, no entanto. Tudo acima de R$ 50 em preço cheio. É legal poder adquirir alguns títulos que já não eram mais impressos, mas parece que aproveitaram a edição para cobrar ainda mais alto que mangás normais.
Também foi publicada uma edição especial de tiragem limitada para o fofíssimo Cardcaptor Sakura em comemoração à abertura de um café temático da Sakura em São Paulo. A única diferença real entre essa edição e a edição padrão é a sobrecapa. É importante atentar aos detalhes quando for começar uma coleção que tenha edições especiais. Às vezes você pode apenas estar pagando mais sem receber quase nada em troca. Essa é outra questão na qual se espera mudança com o aumento da concorrência de mercado.
Karakai Jouzu no Takagi-san & Karakai Jouzu no (Moto) Takagi-san todos os volumes
E para encerrar a lista, uma das sequências de capas mais fofas já feita. Acho que não existe outro título de mangá que tenha aplicado essa ideia antes. As artes das capas de Takagi-san e Moto Takagi-san fazem paralelos entre o passado e o presente (ou entre o presente e o futuro, se você preferir). Cada capa do spin-off de Mifumi Inaba alude à mesma cena desenhada por Souchirou Yamamoto no volume correspondente do mangá principal. Dessa vez, com Takagi e Nishikata adultos e com a presença da filha deles, a fofa e carismática Chii. É uma ideia excelente, pois, apesar das adoráveis semelhanças, cada uma das artes passa sentimentos diferentes. Enquanto as de Takagi-san têm essa sensação de infância feliz, as artes de Moto Takagi-san representam conforto familiar.
Ao longo do tempo, a arte de Mifumi Inaba foi ficando cada vez mais parecida com a arte de Souchirou Yamamoto. Isso fica bastante perceptível quando se comparam as capas correspondentes aos primeiros e últimos volumes. Isso deixa a ideia de capas combinando ainda mais legal. As artes de Takagi-san têm estilo em aquarela, com cada cor evocando sensações específicas. A maioria das imagens tem efeitos de luz e sombras feitos com pinceladas delicadas. As artes apresentam bem o romance leve e fofo que você encontrará nas páginas do mangá. Novamente, as capas são tão boas que seria possível comentar uma por uma.
Karakai Jouzu no Takagi-san no mercado nacional
Karakai Jouzu no Takagi-san foi inteiramente publicado no Brasil pela Panini, com o título de "Takagi, A mestra das pegadinhas". É uma coleção que estou perto de completar comprando quase exclusivamente em promoções individuais de cada volume. Com exceção do volume 1, todos os outros volumes quase sempre estão com bons descontos na Amazon. Com um pouco de paciência, é possível completar a coleção por um valor justo. Quanto ao spin-off, ainda não foi publicado e não parece haver planos para tal. Porém, acho que existem possibilidades de que isso aconteça no futuro. É o lado bom de ter editoras muito grandes como a Panini.
Takagi-san e seu spin-off são os títulos perfeitos para encerrar esse post. O doce romance de Takagi e Nishikata está sempre aberto a dar boas-vindas às possibilidades do futuro. Não posso dizer que sou a pessoa mais otimista que conheço, e nem mesmo que acredito em boa vontade de empresas. Mas estou bastante animado com o futuro dos mangás no Brasil. Bem mais do que estava no primeiro texto. As novas editoras e o crescimento de outras já tiraram essa cultura da estagnação em que estavam até então, na minha visão de consumidor. Ter mais possibilidades além das três grandes editoras é ótimo para colecionadores e entusiastas da arte do mangá. Os preços ainda estão longe de serem acessíveis, incluindo o preço cobrado pelas novas editoras. O alto preço da literatura no Brasil é um problema que vai muito além das editoras de mangás. Porém, ter mais diversificação de possibilidades pelo menos faz o nosso esforço ser melhor aplicado. Quanto mais opções tivermos, quanto mais tipos de obras diferentes pudermos explorar, melhor será para o consumidor e até para as editoras.
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Texto escrito por: Maviael Nascimento, na Baía de Naniwa, onde as flores estão desabrochando.
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